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Tendências da Economia Prateada e o novo cenário mundial

Tendências Da Economia Prateada E O Novo Cenário Mundial

O envelhecimento populacional no Brasil e no mundo cresce a cada dia, enquanto a taxa de fertilidade deve continuar caindo. Isso é o que diz o relatório das Nações Unidas, que confirma as tendências da Economia Prateada. Ela investe em oportunidades, serviços e produtos voltados à população acima dos 50 anos de idade. 

[Dica da Cult pra você: quer saber mais sobre o assunto? Assista ao vídeo “Inversão da Pirâmide Etária: redação Enem 2017”.]

Vale lembrar que a Economia Prateada tem relação com a Economia Criativa por conta da inovação aplicada ao mercado. Profissionais criativos fazem a diferença neste momento de redescobrimento das necessidades dos indivíduos nos mais diversos setores, como educação, saúde, cultura e entretenimento (você pode conferir a atuação dos trabalhadores dessas e outras áreas assistindo à nossa websérie “Profissões da Economia Criativa”).

Por isso, para a valorização da Economia Prateada, é interessante que os ambientes privado e público inspirem-se em equipes criativas que priorizam diversidade e inclusão.

Novo cenário mundial

Segundo a Harvard Business Review, publicação que tem como objetivo refletir sobre as melhores práticas na gestão de negócios, a estimativa é que o mercado prateado tenha movimentado US$ 15 trilhões no mundo em 2020. Enquanto no Brasil, de acordo com a pesquisa “Longevidade”, realizada pelo Instituto Locomotiva, o montante foi de R$ 1,8 trilhão.

Os números atestam a demanda crescente por serviços e produtos voltados ao público com mais de 60 anos. Afinal, de acordo com dados do Federal Reserve, sistema de bancos centrais dos Estados Unidos, dos US$ 112 trilhões em riqueza acumulada pelas famílias estadunidenses, US$ 34 trilhões estavam nas mãos da Geração Z e dos Millennials, enquanto o resto do montante estava sob o comando dos nascidos até 1964, revelando um intenso potencial aquisitivo das pessoas mais maduras.

Nesse sentido, vale dizer que, ainda segundo o relatório da ONU, na maior parte da África Subsaariana e alguns locais da Ásia, América Latina e Caribe, a redução das taxas de fertilidade fizeram com que a população em idade de trabalho crescesse mais rápido do que outras faixas etárias, gerando uma grande oportunidade para acelerar o crescimento econômico. Assim, é importante que os governantes invistam muito em educação e saúde para se beneficiarem das tendências da Economia Prateada.

Startups e o púbico sênior

De acordo com o TrendBook Negócios, atualmente, os cidadãos com mais de 50 anos têm vidas mais longas, saudáveis e produtivas. Por isso, o mercado deve oferecer serviços que vão muito além da saúde. Pois, cada vez mais, essas pessoas viajam, investem, namoram, empreendem, voltam às salas de aula e, claro, consomem pela internet

Dessa forma, muitas empresas jovens, com foco em tecnologia de ponta e design, as famosas startups, estão apostando cada vez mais em achar soluções para os problemas enfrentados pelos 60+. Elas estão quebrando o padrão dos produtos e serviços pensados para essa geração, trazendo mais cor, alegria, facilidades e empoderamento aos maduros, em um cenário cada vez mais favorável a essas inovações.

Poder aquisitivo

A pesquisa “The truth about online consumers” (A verdade sobre consumidores online, em tradução livre), realizada pela KPMG em 2017, entrevistou 18 mil consumidores online em 51 países, incluindo o Brasil. Em conclusão, os baby boomers (geração nascida entre 1946 e 1964) fazem quase tantas compras online quanto os consumidores da Geração X (pessoas que nasceram entre meados de 1960 e o início da década de 1980) e os Millenials (1980 – 1996).

Além disso, seu gasto médio por compra é o maior entre as gerações, US$ 203, seguido por US$ 190 e US$ 173, respectivamente. Segundo Mariana Fonseca, uma das coordenadores do TrendBook, esses dados refletem um cenário anterior à pandemia. Portanto, é possível que, atualmente, o número seja bem maior.

Ainda segundo a pesquisa “Longevidade”, grandes marcas ao redor do mundo, mesmo as que não imaginavam atingir esse público, já começam a enxergar as tendências da Economia Prateada com outros olhos, como por exemplo, o Airbnb. O serviço de hospedagem comprovou o potencial dos anfitriões maduros, os quais recebem as melhores avaliações na plataforma. Além da Airbnb, há outras marcas que lucraram muito com o público sênior, como Amazon (Alexa), Nubank e Trekker.

Serviços disponíveis

Algumas das soluções oferecidas pelas empresas que investem nas tendências da Economia Prateada incluem reduzir a solidão e a criação de gadgets que facilitam as tarefas do dia a dia. Algumas delas, inclusive, têm acertado em cheio, conquistando grande credibilidade – a tão desejada valuation – e mostrando que estamos cada vez mais próximos do surgimento do primeiro unicórnio prateado, ou seja: uma startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão voltada ao público sênior.

Um levantamento conduzido pela Piper.Social – primeira e maior vitrine de negócios de impacto no Brasil – mapeou 343 produtos e serviços que buscam atender à chamada “Revolução Prateada”. A pesquisa aborda soluções para a construção de cidades inteligentes, qualidade de vida dos maduros, além de suporte para essa fase da trajetória.

O resultado mostra que 40% das iniciativas levantadas destinam-se a “Soluções para o Cuidado”, enquantoEngajamento e Propósito” somaram 22%; “Estilo de Vida e Mobilidade”, por sua vez, representa 17%. Nesse cenário, encontram-se ainda tecnologias para dar suporte aos desafios em “Saúde Mental” (8%), “Saúde Financeira” (5%) e “Fim da Vida” (1%).

Ainda de acordo com Mariana Fonseca, a região Sudeste concentra 64% desses empreendimentos. Em seguida, vem a região Sul (13%), Nordeste (10%), Centro-Oeste (7%) e Norte (2%). Dos negócios analisados, 27% estão faturando R$ 100 mil, mas há aqueles que chegam a faturar mais de R$ 2 milhões.

Projetos culturais em São Paulo

Não tem como falar de Economia Criativa sem falar de cultura. Por isso, separamos alguns projetos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo voltados ao público sênior. Afinal, se a população está envelhecendo, é hora de se empenhar cada vez mais na criação de serviços para esse público.

Encontros

Após seis meses fechado, em setembro, o Museu Casa de Portinari voltou a receber visitantes na região de Brodowski, seguindo todas as medidas de segurança. É lá que acontece o projeto “Encontros”, trimestral e temporariamente suspenso. A iniciativa promove um espaço de visitação e de experiência museológica para o público idoso, que vai muito além de um simples “passeio ao museu”.

Para isso, busca rememorar contextos históricos, além de construir novas ideias e reflexões, por meio de experiências pautadas no diálogo e na troca de vivências entre o público. A ação ainda insere os grupos em atividades educativas e culturais, valorizando o conhecimento, a capacidade e o potencial desses cidadãos, que merecem uma atenção especial do museu.

Aguçando as memórias

O projeto do museu Índia Vanuíre tem como objetivo a valorização e inserção do público idoso na sociedade, reconhecendo-os como cidadãos ativos e produtores de cultura. Durante os encontros, são realizadas dinâmicas, com o intuito de produzir diversos materiais, como por exemplo, poesia, além de promover diálogo sobre a rotina do grupo.

Vale lembrar que o Museu foi reaberto dia 3 de outubro e está funcionando de terça a domingo em um horário especial, das 10h às 16h. Já o projeto é mensal e ocorre às quartas-feiras pelas redes sociais.

SP Leituras

Criada em junho de 2010, a SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura – é uma Organização Social sem fins lucrativos que visa contribuir para o incentivo ao direito e à promoção da cultura, leitura e literatura. Além de gerir diversas bibliotecas públicas em São Paulo, suas atividades têm atingido muitos idosos, como o “Clube de Leitura” e alguns cursos e oficinas.

Clube de Leitura

Consiste no encontro de leitores de uma mesma obra, visando compartilhar opiniões e explorar o gênero literário em questão, além de conhecer outros autores e livros semelhantes. As reuniões são mensais, com duas horas de duração, e o intuito é incentivar o gosto pela leitura.

Para cada encontro, é selecionada uma obra que faça parte do catálogo da Biblioteca de São Paulo. Os livros são escolhidos com base nas sugestões dos participantes do Clube e nas pesquisas realizadas pelos mediadores. Também são utilizadas internet e revistas para dar suporte ao bate-papo, além de recursos audiovisuais, como notebook e data show para exibir vídeos e músicas. 

Cursos e oficinas

Há também cursos e oficinas, que abordam crônicas, contos, ficção e poesias, além de técnicas para narração de histórias. Um exemplo é o projeto “O que tem de música num poema?”, ministrado pelo poeta Pedro Marques. O objetivo é mostrar como formar e fortalecer a leitura, a escuta e a composição da poesia literária e cancional. A iniciativa faz parte do projeto “Literatura Brasileira no XXI”, realizado em parceria com a Unifesp.

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Redação: Thábata Bauer

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