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Ócio Criativo x Dolce Far Niente

Ócio Criativo X Dolce Far Niente

Talvez você tenha ouvido falar desses dois conceitos do título em entrevistas, palestras e até mesmo filmes clássicos. O que o “Ócio Criativo” e o “Dolce Far Niente” têm em comum é o berço de nascimento: ambas surgiram na Itália e retratam a beleza do ócio. E as semelhanças param por aí.

Enquanto o Dolce Far Niente foi muito bem explicado pela jornalista Marília Gabriela, em sua entrevista no finado Programa do Porchat (veja aqui), que é aquele momento de não fazer absolutamente nada e não se sentir culpado pela “improdutividade”, o Ócio Criativo é a produtividade fantasiada de lazer e aprendizado.

No mundo contemporâneo, repleto de recursos tecnológicos criados para facilitar o dia a dia, surge um novo olhar para o trabalho, especialmente para aqueles aos quais se dedicam um terço da população mundial: o trabalho intelectual. E é nesse tipo de trabalho que se encaixa o conceito do ócio criativo. Domenico De Masi, sociólogo italiano e criador do termo, define o ócio criativo como a união de 3 atividades: aprendizado, diversão e trabalho.

Em uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1999, De Masi dá um exemplo prático: “Hoje tudo está mesclado. Estudo, trabalho e tempo livre são uma coisa só. (…) O que estamos fazendo agora? Estamos estudando? Bem… De alguma forma, estamos trocando ideias. Estamos trabalhando? Em certo sentido, estamos também trabalhando. Estamos nos divertindo? Eu estou”. Esse momento de diversão + aprendizado + trabalho é, portanto, o ócio criativo”.

O trabalho remoto, proporcionado pela internet e aplicativos de comunicação, contribui para a prática do ócio criativo e, consequentemente, para o aumento da produtividade dos profissionais que atuam na área criativa. Essas novas profissões não exigem a presença física do trabalhador e carga horária específica, como acontecia nas eras pré-industrial e industrial.

Hoje em dia, profissionais que trabalham com criatividade estão trabalhando 100% do tempo. E nos mesmos 100% do tempo estão se divertindo e aprendendo. Profissionais da criatividade vão ao cinema para se divertir, pra aprender e pra ter referências para seu trabalho. Ouvem música enquanto se divertem, aprendem e trabalham. Leem e têm ideias para seus projetos e, ao mesmo tempo, se distraem e aprendem sobre novos mundos. Até mesmo aquele tempo perdido no trânsito, por exemplo, pode ser uma fonte de inspiração para os profissionais criativos.

O ócio criativo é a solução para o desemprego, para a ausência de público em atividades culturais, para o desinteresse pela educação. De Masi estuda e propaga esse conceito há mais de 20 anos e, apesar de ser algo recente no contexto histórico, o ócio criativo não deve ser visto como o futuro. Ele deve ser aplicado, hoje, pelas empresas e pelo governo, a fim de construir uma sociedade criativa, equilibrada e mentalmente saudável.

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