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“Poucas mulheres em diferentes contextos é parte de um problema maior”

“Poucas Mulheres Em Diferentes Contextos é Parte De Um Problema Maior”

No mês de setembro de 2019, rolou um festival de música experimental e improviso, com participação de artistas brasileiros e estrangeiros. Uma das musicistas convidadas foi a saxofonista e compositora alemã Angelika Niescier, conhecida por criar um estilo genuíno, unificando composições modernas, incomuns e improvisação intensiva.

Além do show e bate-papo sobre música, Angelika promoveu uma oficina de Soundpainting, técnica criada pelo norte-americano Walter Thompson em 1974, que hoje é utilizado por artistas visuais, músicos e dançarinos.

Por intermédio do Goethe-Institut, fizemos uma entrevista com a artista sobre formação musical, artistas alemães e, claro, soundpainting. Adoramos a conversa com a Angelika, pois o que ela faz e pensa tem bastante relação com um dos projetos que a Cult Cultura é parceira de mídia, o Primeiros Acordes (clique aqui para conhecer), que ensina instrumentos musicais gratuitamente para jovens de Rio Grande da Serra, município da Grande São Paulo.

Confira abaixo:

[Cult Cultura] Nós gostaríamos de ouvir mais músicos alemães. Você poderia nos sugerir alguns artistas que você gosta?

[ Angelika Niescier ] Ai, por onde começar? Tem tantos, eu não conseguiria nem listar todos, e até mesmo escolher e sugerir alguns deles é muito difícil pra mim. Então aqui vai uma sugestão aleatória de músicos que valem a pena ouvir, de diferentes estilos de jazz e música de improviso: Matthias Müller (trombone), Julia Hülsmann (piano), Philipp van Endert (guitarra), Anne Hartkamp (vocal), Christian Lillinger (bateria), Silke Eberhard (sax), Thomas Sauerborn (bateria), Julia Kadel (piano), Peter Herborn (composição), Nils Wogram (trombone)…

[Cult Cultura] Você poderia nos explicar o que é soundpainting?

[ Angelika Niescier ] Só pra explicar, antes: eu não utilizo esse conceito nos meus shows. Eu uso nos workshops, pra poder rapidamente trabalhar com diferentes níveis de músicos, dançarinos e atores de improviso. Walter Thompson cunhou esse nome e o conceito. Desde então, isso se espalhou com diferentes abordagens. É um jeito de organizar música de improviso, tocada por um grupo de músicos, liderado por um maestro/condutor. Os músicos tocam de acordo com uma lista de gestos usados pelo maestro. Eles interpretam os sinais em forma de música. O maestro cria o show por meio de uma espécie de composição instantânea, que é inventada a todo momento.

[Cult Cultura] Música instrumental no Brasil não é tão popular como na Alemanha. Como você acha que nós podermos incentivar mais crianças e jovens a estudar e ouvir música instrumental?

[ Angelika Niescier ] Como o Festival Inapropriado já está fazendo tão brilhantemente: levem as crianças e jovens (e todo mundo) para entender esse tipo de música introduzindo-as por meio de bate-papos antes dos shows, workshops, etc. E deixe as pessoas sentirem a experiência fazendo música por elas mesmas: também por meio de oficinas, workshops, etc.

[Cult Cultura] No Brasil, é mais comum ver homens tocando música instrumental em bandas e concertos. O mesmo acontece na Alemanha e Estados Unidos? Como nós poderíamos reverter essa situação?

[ Angelika Niescier ] Bem, poucas mulheres em diferentes contextos é parte de um problema maior. Isso também acontece na Alemanha e Estados Unidos.

Eu acho que não há uma solução fácil pra resolver isso. Hoje em dia, nos EUA e Alemanha, por sorte há cada vez mais mulheres seguindo seus chamados. É sobre se ver representada:  se nós mostrarmos mulheres atuando profissionalmente como musicistas, pioneiras como referência, essa representatividade vai ficar na imaginação das meninas, adolescentes e jovens mulheres. Isso também é valido para todas as pessoas que não são homens brancos cis: representatividade importa.

Tudo o que podermos fazer é espalhar o amor pela música e, nesse caso, incentivá-las a seguir esse amor aprendendo a tocar um instrumento. Além disso, devemos criar uma atmosfera de respeito e amor pela arte feita por mulheres e homens e deixar claro que estamos lutando por um mundo melhor. Quanto mais profundo e com maior diversidade o discurso acontecer, mais as pessoas ganharão.

Conheça mais sobre Angelika Niescier aqui: www.angelika-niescier.de

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