skip to Main Content

O voo dos anjos

  • 15 de setembro de 2020
  • Contos

Ela olhava pra eles como se assistisse a uma peça de teatro. Eles falavam de teorias, vida, amor, relacionamento. Ela não sentia vontade de falar. Olhava, admirava, interagia com o sorriso e com o olhar. Poderia ficar horas nesse encontro além da realidade. Eles sempre ocuparam um lugar especial no coração dela, mesmo antes de se conhecerem. Mesmo antes de um saber que o outro existia. Mas sabiam. Na verdade, sempre souberam. Ela era um anjo e esse era seu primeiro voo. Eles, também anjos, ajudaram, a levaram para um lugar cada vez mais alto, mais alto, mais alto. Voava, subia, via a cidade lá do alto. Via nuvens. Uma sensação que nunca havia sentido. Seria um sonho? Ligou o rádio. Prestou atenção na letra da música que tocava: “Te…

Leia mais
Pai-sindrome-de-down-filho

Nunca fui uma boa pessoa

  • 14 de janeiro de 2020
  • Contos

Nunca fui uma boa pessoa. Afirmo a você. Não seguro os pertences de ninguém no ônibus. Não cedo o lugar. Não dou bom dia nem desejo bom dia a ninguém. Minha vida se resume ao meu trabalho, à minha rotina. E a rotina é um prato de arroz insosso que enche a barriga, mas não satisfaz o paladar. Acordo cedo, tomo ônibus cheio, tenho um trabalho pesado. Vivo e revivo isso, e vivo para reviver isso. Das minhas tarefas diárias, a última é a pior. Digo a você: não sei o que passa. É a única pessoa que me sobrou, é o elo que tenho com minha esposa (se foi cedo, Deus a tenha!) e depois de tantos anos, ainda não aprendi a lidar com ele. A saída do trabalho…

Leia mais
Pareidolia-rosto-em-tronco-de-arvore

Pareidolias

  • 30 de outubro de 2019
  • Contos

O que não vive emite tamanha potência que há de se desconfiar da inanidade das coisas. Na cidade grande tudo se movimenta, se constrói, se transforma. Possível não é; sem vida não se faz. É preciso de alma para viver? Quem sabe... Brotava tristeza dali. Perambulava por aquela praça não sei dizer há quanto tempo, com olhar perdido em 3 ou 4 pontos. Demorei muito para puxar conversa. Que estranho é isso. Dias e mais dias ensaiando um “olá, quer um café?”, coisa tão corriqueira, mas que demanda uma coragem maior do que efetivamente temos. Pegou o café e me agradeceu abaixando levemente a cabeça. Tomou-o em goles longos, pausados, verdadeiramente apreciando a bebida quente. Não falou uma palavra. Tomei coragem e fui direto ao ponto: qual a sua história?…

Leia mais
Back To Top